Lidando com a carência afetiva
A carência afetiva vem sendo um dos motivos mais frequentes para a procura do atendimento psicológico.
É o vazio que toma conta da nossa alegria de viver e, como desconhecemos maneiras mais saudáveis para resolver essa questão, nos envolvemos com o ter.
Isso mesmo, achamos que através dos bens materiais seremos mais felizes e realizados, e aí, na tentativa de preenchermos o ”vazio”, queremos um novo celular, um sapato, uma roupa, um carro, uma viagem, etc.
Depois do momento de êxtase com o novo objeto, vem uma voz interior que avisa que o vazio ainda está ali, e o que nos ajudaria mesmo é um simples carinho!
Essa voz vai crescendo, crescendo, e se torna um eco ... da dor, da solidão e da carência de afeto.
Assim, passamos para a busca sem limites pelo carinho, cujo caminho pode envolver escolhas pouco saudáveis como relacionamentos fugazes e relações sexuais fáceis, nada gratificantes.
Mais uma vez, o resultado é amargura e mau humor, pois, essas formas de carinho ficam caracterizadas como “encontros vazios”, sem conteúdo, sem troca e sem respeito.
Somos vítimas de nós mesmos pelas más escolhas! E isso não é um julgamento de valor, nem mesmo de pudor hipócrita.
É um caso de “urgência emocional”, onde precisamos de carinho, de um abraço, de um toque amoroso no rosto.
Há estudos que qualificam o toque como fator que contribui para revitalizar nossas células, nossa esperança e humanidade.
Talvez você esteja pensando que, no momento, desconhece alguém que esteja disposto a te dar esse presente, não é mesmo?
A boa notícia é que nós podemos desencadear todo esse processo amoroso. Ao invés de sair buscando carinho, seja você a pessoa a espalhar carinho.
Sei que a grande maioria de nós tem medo de dar carinho, de demonstrar afeto, de tocar, acariciar, sem qualquer ligação ao aspecto sexual ou erótico.
Muitos de nós temos medo de sermos rejeitados, de fazermos um carinho e sermos chamados de "pegajosos".
No entanto, veja bem, não se trata se sair por aí tocando estranhos, mas demonstrar afeto para pessoas íntimas a nós.
Quando você deu um abraço no seu pai, na sua mãe ou nos seus irmãos? E nos seus filhos? Esposa? Namorada? Amigo? Quando foi que disse a eles o quanto é bom tê-los como parte de sua vida?
No começo nos sentimos estranhos, o coração até dispara e ficamos sem saber qual é o próximo passo, ou mesmo o que dizer. Porém, não desista.
Dê carinho sem segundas intenções e você verá que seu “vazio” se transformará em potencial amoroso, uma energia vital para um viver mais feliz.
Vamos. Comece hoje mesmo a se tornar uma pessoa mais carinhosa, faça um cafuné, dê um “cheiro” em alguém que você goste.

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