Viciamos no amor

 Viciamos no amor


por:@laura stefanelli





A codependência não é uma situação rara, porém, é muito confundida com amor.


No geral, a codependência é caracterizada pelo cuidado excessivo com o outro.


Especialmente no que diz respeito às mulheres, destaca-se nestas pelo fato de que, quando pequenas, tomaram conta de seu pai ou de outra pessoa da família de maneira exagerada. 


Assim, quando se tornam adultas, naturalmente se tornam mais dispostas a dedicar a vida a cuidar mais dos outros do que de si mesmas.


O fato é que esse tipo de comportamento traz implicações na família, no trabalho e na vida social, o que pode contribuir na perpetuação do padrão pouco saudável “do cuidar” em gerações futuras.


A mudança de atitude é um processo longo e doloroso, pois, o vínculo “do cuidar” ainda está enraizado naquela vivência infantil que vem se repetindo com o objetivo de elaboração da experiência.


A capacidade de perdoar a si mesma e a coragem de renunciar a esse controle são atitudes que determinarão a mudança para um comportamento mais saudável.


A dificuldade em se libertar de relacionamentos “doentios” apresenta crenças inconscientes como: “eu sou uma pessoa má e sem valor”;  “ninguém me ama por aquilo que eu sou”;  “as minhas necessidades nunca vão ser preenchidas se eu depender dos outros”;  “a atenção e a proximidade me ajudam a não ser rejeitada”.


A problemática dessas percepções que a pessoa tem de si mesma tende a se manifestar de maneira nada saudável na forma de instabilidade emocional, com crítica e reprovação do outro; isolamento e culpa, acompanhada de excessiva tolerância frente aos abusos; depressão e manutenção do espírito de sacrifício, com altos e baixos de humor; e, necessidade de agradar a todo custo, submetendo-se à humilhação.


Não há dúvida que esse tipo de comportamento deve ser tratado. 


Penso que há necessidade de se aprender que muitas vezes é preciso ficar só e experimentar os próprios sentimentos, mesmo que dolorosos.


É preciso olhar para dentro de nós mesmos buscando soluções mais criativas para lidar com a vida e com os nossos sentimentos, no resgate de nossa essência saudável.

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