O que sustenta o processo: a Fala
O trabalho terapêutico se constrói, fundamentalmente, a partir da fala e da escuta, ao longo do tempo.
Falar não significa apenas relatar fatos ou acontecimentos importantes.
Muitas vezes, a fala surge de forma fragmentada, repetitiva ou até confusa.
Há momentos em que faltam palavras, e o silêncio também ocupa seu lugar.
Tudo isso faz parte do processo terapêutico e tem valor dentro do espaço de escuta.
Não é necessário organizar previamente o que será dito, nem selecionar temas “mais relevantes”. Aquilo que se apresenta — mesmo quando parece pequeno, estranho ou sem importância — pode revelar aspectos importantes da experiência psíquica.
A terapia oferece um espaço onde a pessoa pode falar sem precisar chegar a conclusões imediatas.
Entre uma sessão e outra, não há exercícios a cumprir nem atividades a realizar.
Se situações do cotidiano, pensamentos ou emoções provocarem incômodo, curiosidade ou estranhamento, eles podem ser trazidos para a sessão seguinte, no ritmo que for possível.
Aos poucos, pela repetição dos encontros e pela continuidade da fala, o processo terapêutico se aprofunda.
Não porque se busque respostas rápidas, mas porque se constrói um espaço em que aquilo que antes não podia ser dito encontra lugar para existir e ser elaborado.
Por Laura Steffanely, Psicóloga Clínica - CRP 06/43.383
@laurasteffanely_psi
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