Cliente x Paciente
por:@laura stefanelli
Cliente sim, Paciente não!
Está aí, uma situação a ser desmistificada.
Em minha abordagem de trabalho utilizo a "Abordagem Centrada na Pessoa" de Carl G. Rogers, na qual o termo "Cliente" é usado para se referir às pessoas que procuram ajuda psicológica.
Para mim é gratificante trabalhar como facilitadora para ajudar as pessoas e nesse trabalho é comum ouvirmos o termo "paciente" quando nos referimos às pessoas que procuram ajuda em diversas áreas da saúde.
Parece-me que já está na hora de desmistificarmos esta condição e reconhecermos que o termo "cliente" é mais apropriado.
Recorrendo ao dicionário Aurélio temos: Paciente:- "resignado; conformado; que espera serenamente um resultado."
Tal definição induz a pessoa a uma figura passiva, que não pode fazer muito para mudar sua situação e que se submete às decisões e orientações de outras pessoas que detêm o conhecimento.
Assim, temos uma pessoa reduzida a uma figura amorfa que nada ou pouco pode fazer para modificar sua condição atual.
Por outro lado, o termo "Cliente" implica que a pessoa está buscando um serviço, tem uma participação ativa no processo de tratamento e é protegida.
O termo Cliente, no entanto, traz o significado de :- "Pessoa protegida; que busca por um serviço; que possui participação ativa."
Desmistificar essa imagem caricata da pessoa/paciente que fica à espera que tudo se resolva como um passe de mágica se faz mais do que necessário.
penso ainda que muitos profissionais têm interesse em manter esse termo paciente, para que possam exercer seu "poder", como detentor de todo o conhecimento científico.
Essa postura de superioridade traz tanto prazer ao ego como prejuízos na relação, pois, é fundamental dar ao Cliente, desde o primeiro momento, o direito de se sentir capaz, agente ativo de seu processo de "cura".
Manter o Cliente "Paciente" traz prejuízos à relação, principalmente, porque nesta condição é o profissional quem assume a responsabilidade do sucesso do tratamento, enquanto o cliente acaba se excluindo dessa responsabilidade e postura ativa no tratamento.
E você? Sente-se Paciente ou Cliente diante da sua responsabilidade frente a sua vida?
E você, profissional? Já não está na hora de dar ao Cliente a condição adequada enquanto agente ativo diante do tratamento?
Que fique claro que a relação de ajuda é uma postura bilateral, em que tanto o profissional quanto o cliente têm sua parcela de responsabilidade no sucesso ou fracasso do processo de ajuda.
Como profissionais, devemos dar aos nossos clientes o direito de se sentirem capazes e agente ativos em seu processo de "cura".
Por isso é essencial repensar a terminologia que usamos para nos referir às pessoas que procuram ajuda, e reconhecer que o termo "Cliente" é mais apropriado do que "Paciente".
Isso pode ajudar a promover uma relação mais colaborativa e eficaz na busca por uma solução para os problemas enfrentados.

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