_ Texto 3 - A Fala

 O que sustenta o processo: a Fala



Na psicoterapia, o que sustenta o processo não são tarefas, orientações práticas ou exercícios realizados fora da sessão. 

O trabalho terapêutico se constrói, fundamentalmente, a partir da fala e da escuta, ao longo do tempo.

Falar não significa apenas relatar fatos ou acontecimentos importantes. 

Muitas vezes, a fala surge de forma fragmentada, repetitiva ou até confusa. 

Há momentos em que faltam palavras, e o silêncio também ocupa seu lugar. 

Tudo isso faz parte do processo terapêutico e tem valor dentro do espaço de escuta.

Não é necessário organizar previamente o que será dito, nem selecionar temas “mais relevantes”. Aquilo que se apresenta — mesmo quando parece pequeno, estranho ou sem importância — pode revelar aspectos importantes da experiência psíquica. 

A terapia oferece um espaço onde a pessoa pode falar sem precisar chegar a conclusões imediatas.

Entre uma sessão e outra, não há exercícios a cumprir nem atividades a realizar. 

Se situações do cotidiano, pensamentos ou emoções provocarem incômodo, curiosidade ou estranhamento, eles podem ser trazidos para a sessão seguinte, no ritmo que for possível.

Aos poucos, pela repetição dos encontros e pela continuidade da fala, o processo terapêutico se aprofunda.

Não porque se busque respostas rápidas, mas porque se constrói um espaço em que aquilo que antes não podia ser dito encontra lugar para existir e ser elaborado.


Por Laura Steffanely, Psicóloga Clínica - CRP 06/43.383

@laurasteffanely_psi 

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